Uma aventura no país do Brexit- O Serviço Social Português em Inglês
Ola. O meu nome e Mónica e sou emigrante no Reino Unido há 5 anos. Pretendo com este breve artigo partilhar a minha experiencia como emigrante.
A minha aventura começou em 2012. Viver no Reino Unido, era um desejo meu e do meu marido Hélder, há alguns anos. Tinha muitos receios, tendo em conta as nossas duas filhas, Carolina e Rafaela.
Primeiro veio o meu marido, no dia 1 de Marco de 2013 e eu em 24 de Abril. Decidimos que as nossas filhas ficariam em Portugal e viriam ter connosco mal estivéssemos organizados. Lembro me, como se fosse hoje, o dia da minha viagem para Londres.
Excitada com a nova aventura, mas, com o coração apertado, pois não sabia quando estaria com as minhas filhas novamente.
No avião conheci um português que vivia no reino unido. Contou-me alguns dos seus sucessos e dificuldades. A chegada, no aeroporto, esperava=me o meu marido. O reencontro foi muito bom. Apanhamos um táxi para casa. Enquanto o meu marido falava com o taxista, e eu que considerava ter um bom inglês, não percebia muita coisa. Só pensei como conseguir arranjar emprego. O meu receio aumentou quando chegamos a casa, onde partilhava com outros portugueses. A casa era assustadoramente velha.
No dia seguinte acordei a sentir me melhor e pronta para a luta. Fui ao Centro de Emprego, chamado Job Centre. Fui atendida por uma funcionária mal-humorada que quando perguntei se apoiavam na procura de emprego me respondeu “se fosse ajudar todos os portugueses nestes pais, não faria mais nada”. Combinamos que viria todas as duas semanas me apresentar ao centro de emprego para provar a minha procura de emprego, pois tinha vindo com o subsídio de desemprego de Portugal.
No final de duas semanas tinha encontrado emprego como Suport worker numa casa de acolhimento para crianças e jovens.
NO entanto só começaria a trabalhar dois meses depois, devido a demora do registo criminal inglês CRB, actualmente DBS.
Durante estes dois meses continuei a apresentar-me no centro de emprego. Contudo, apesar de ter feito tudo o que me era pedido nunca recebi o subsídio de desemprego de Portugal por incompetência dos funcionários do JobCenter.
Os dois meses ate começar a trabalhar foram difíceis. As saudades das minhas filhas eram enormes. Acordava e adormecia a chorar. Não tinha amigos com quem conversar. Tinha uma prima e uma tia do meu marido, contudo, devido a distância não dava para estarmos juntas como desejava.
Saia de casa para explorar Londres. A língua, as ruas e os cheiros eram estranhos e sentia me infeliz.
Desejava diariamente voltar ao meu pais.
No dia 12 de Junho comecei a trabalhar na casa de acolhimento com crianças e jovens. Foi uma experiencia inesquecível.
Permitiu melhorar o meu inglês e familiarizar-me com o trabalho com crianças e jovens no Reino Unido. O meu objectivo era trabalhar em ChildProtection e esta seria a porta de entrada. Durante seis meses trabalhei imenso, em turnos de mais de 12 horas com crianças que devido a ter sido abusado e negligenciado revelavam um comportamento muito difícil. Nunca me irei esquecer de uma noite ter sido agredida constantemente por uma jovem de 15 anos, maior que eu.
Nunca a minha pele tinha tido nodoas roxas como nesse dia. Tive dores durante dias e ainda assim continuei os turnos de mais de 12 horas.
No dia 1 de Agosto a minha família estaria junta novamente. As minhas filhas finalmente chegaram. Ainda consigo sentir a emoção quando as vi chegar ao aeroporto. Finalmente poderia abraçar as minhas filhas. A aventura começava para elas também. A Rafaela adaptou-se muito bem. No entanto a carolina chorou durante seis meses. Tinha saudades do quarto dela e do cão.
Dada a experiencia como care worker reuniu as condições para apresentar a candidatura na ordem de assistentes sociais, HCPC, que ficaria concluída em Maio de 2013. Entretanto voluntariei-me me no Centro Comunitário Português como assistente social. Foi um período muito bom para mim. Convivia diariamente com portugueses e comecei a ter tempo para criar amizades. Em Novembro de 2013 consegui finalmente o emprego com que tanto sonhei. Nesta altura tivemos de nos mudar para fora de Londres. As minhas filhas tiveram de mais uma vez dizer adeus aos amigos.
Felizmente adaptamo-nos todos muito bem na nova área. A Carolina e a Rafaela adoraram a nova escola. Mais pequena e familiar.
Sentimos que iriamos ser felizes numa cidade mais pequena. E a verdade e que somos. Fizemos amigos. Temos um emprego de que gostamos e onde há progressão profissional. Sentimos que as nossas filhas aqui terão imensas oportunidades no futuro.
Olhando para trás, foi difícil, muito difícil mas valeu a pena. Somos uma família muito unida e forte. Não mudaria nenhuma das minhas decisões.
Na vida só nos devemos arrepender do que não fizemos!