Crise económica fez disparar número de novos pobres
A crise económica que se instalou em Portugal nos últimos anos fez disparar o número de “novos pobres” que passaram a solicitar ajuda a diferentes instituições de solidariedade social, que “não têm mãos a medir”. Messias Sousa, responsável pela Sociedade de S. Vicente de Paulo da Diocese de Viseu, uma das duas instituições de solidariedade social contempladas com o valor das entradas de hoje na Feira de S. Mateus, admite que não consegue chegar a toda a gente, mas ainda assim consegue garantir algum conforto às pessoas onde vão chegando.
Ao todo são perto de 3000 os que recebem a ajuda da Sociedade de S. Vicente de Paulo da Diocese de Viseu, quer em bens alimentares como no pagamento de rendas de casa, despesas periódicas de água, luz ou gás, ou até no pagamento de remédios ou pequenos arranjos em casa. “Tentamos ajudar um pouco todos os que precisam, mas esforçamo-nos por não criar habituação nas pessoas. Ajudamos mais de 900 famílias”, esclareceu.
No entanto, cada vez é mais difícil continuar um trabalho gracioso, que “se debate com o envelhecimento dos vicentinos e tem cada vez mais dificuldades em obter fundos”.
Nesta terça-feira, Dia Solidário na Feira de S. Mateus, o valor das entradas no recinto (2,5 euros cada) reverte a favor desta instituição e da Cáritas Diocesana de Viseu (ver caixa), funcionando como uma “pequena almofada nas contas”. “Se anteriormente eram os mais velhos que apoiávamos, atualmente ajudamos sobretudo as pessoas que perderam emprego ou as mães solteiras que estão fragilizadas. Ajudamos pessoas de outro nível, alguns licenciados, os chamados novos pobres”, revelou Messias Sousa, que espera 5000 euros da receita, equivalente a metade da bilheteira.
Cáritas ajuda mais de 5600 pessoas
As receitas do Dia Solidário da Feira de S. Mateus, que propõe o espetáculo musical Rock You Now, revertem também a favor da Cáritas Diocesana de Viseu, que “ajuda atualmente 5676 pessoas”. De acordo com José Borges, a instituição a que preside tenta ajudar todos os que lhe batem à porta, por mais pequeno que seja o auxílio que possam oferecer. “Este ano entraram 268 novas famílias para serem ajudadas e saíram 41. São números consideráveis e só não ajudamos mais porque não podemos”, sublinhou. A crise fez com que quem doava bens à instituição de solidariedade social passasse a ajudar menos ou até a solicitar ajuda. “Aparecem casos que nos deixam arrepiados, pessoas com casa e vida estabilizada, que de um momento para o outro ficam desempregadas e na miséria. E não podemos atribuir subsídios todos os meses, pois o dinheiro tem de chegar a todos”, concluiu.
Jornal de Notícias