“Breve Reflexão sobre a Tipicidade das Respostas Socais para Envelhecimento”
Breve Reflexão sobre a Tipicidade das Respostas Socais para Envelhecimento
O Assistente Social não está isento de uma escolha “política” e direcionado num modelo de Intervenção.
Partindo desta premissa, é também, necessário perceber as relações sociais e centrar a sua intervenção no âmbito das relações entre pares, tendo subjacente o conceito de Pessoa.
Situando o presente na experiencia da ação nas Respostas Sociais para o Envelhecimento, a sua intervenção é justificada num modelo Humanista/ Personalista.
Entendendo Humanismo como “uma escola de pensamento filosófico para a qual o homem está acima de tudo e para a qual o homem constitui o valor supremo. O humano é um fim em si e não um meio. Este pensamento é sustentado por valores superiores de busca do belo e do bem que, no nosso domínio de cuidados, são postos ao serviço do bem-estar e da saúde do doente” (Phaneuf,2007), assim coloca-se a Pessoa no centro da ação, centrando o cuidado, entendido num ponto de vista ético e de forma holística, como atitude primordial na Intervenção.
Não basta fazer um atendimento, e respetivo Diagnóstico de necessidades, mas complementar o mesmo do ponto de vista do outro, isto é, no seu Ser Pessoa.
Assim, não pode ser uma Instituição centrada no problema, tendo serviços tipificados para oferecer, constituindo-se assim numa intervenção centrada na Pessoa, isto é, uma Instituição para as Pessoas e não o encaixe da Pessoa na oferta de serviços. Acresce, que nesta perspetiva, a intervenção não pode ser uma soma de serviços – tarefa, antes um processo que autonomização e liberdade.
Neste contexto surgem as Repúblicas Sénior no Centro Social Paroquial de São Jorge de Arroios. Não é humanamente nem profissionalmente possível relevar vidas de Pessoas Idosas habitando em situações de sub aluguer sujeitas a comportamentos de negligência e maus tratos.
As Republicas pautam-se por valores de Liberdade, Autodeterminação e Solidariedade. É possível erguer Respostas para o Envelhecimento assentes na auto gestão.
Isto leva-nos a pensar: as Respostas Sociais são para as Pessoas ou as Pessoas para as Respostas Sociais?
Chegou a hora de não reproduzirmos Respostas tipificadas assentes num modelo de exclusivamente de sobrevivência!
Sabendo que o “Homem é um todo indivisível, como tal a intervenção centrada na Pessoa não deve deixar nenhuma das suas dimensões sobrevalorizada, sob risco de ser uma intervenção sectorizada, atendendo não à totalidade do sujeito mas à sua parte. É pertinente ter em conta o problema do sujeito contextualizado nele próprio, na sua cultura, no seu ambiente, na sua educação, na sua religião (espiritualidade), na sua dimensão corporal, intelectual, emotiva, sexual, social” (Cardoso, 2015), em suma num modelo Sistémico e Ecológico.
Até porque a intervenção social se faz com e para as Pessoas, é necessário centrar a mesma na Dimensão do Ser Pessoa, e nessa perspetiva o personalismo sintetiza que “Pessoa não é objeto (…) está mergulhada na natureza (…) mas que transcende a natureza (…) é um ser natural, mas é um ser natural humano (…) com uma interioridade com necessidade de uma exterioridade” (Mounier,2004).
É importante evidenciar que uma intervenção baseada na relação, entendida enquanto encontro de pares, exclui relações de poder, antes a garantida dos Direitos Sociais e a Dignidade da Pessoa Humana.
Deste modo, As Republicas Sénior são exemplo disso. Não existe um regulamento tipificado, massivo, que dê para todos, antes cada Republica, construindo a sua identidade, define o modus operandi da mesma. O centro Social apenas monitoriza o processo através dos Conselhos de Republica.
Os Conselhos de Republica são reuniões efetuadas pelos “Republicos” onde definem e resolvem processos referentes às suas casas. São acompanhadas por um Técnico que medeia situações de conflito que possam existir. Casa República é única e são meios de viver a Cidadania, a Dignidade individual, a Autodeterminação, a Identidade, valores que estão no ADN do Serviço Social. É possível encontrar Respostas personalizadas e não a reprodução da tipicidade que tantas vezes “oprime” quem as procura.
Podemos concluir que “além da identidade comum, existe um exercício comum, cidadania, que não podem ser resgatados à pessoa” (Cardoso,2015), o que exclui qualquer tipicidade numa Resposta Social dirigida a Pessoas.
Os Assistentes Sociais devem ser mobilizadores para as Politicas de Respostas para o Envelhecimentos que se centrem na Pessoa e não nas estruturas e no comodismo profissional.
Síntese: À questão colocada ao profissional de Serviço Social Assistente Social: o que está na base que enforma o modelo de intervenção? Podemos responder: Pessoa Humana.
As Respostas que assentem na centralidade da Pessoa são respostas onde o exercício de Cidadania, Identidade, Liberdade, Dignidade e Autodeterminação são vivenciados.
Os Assistentes Sociais não podem ser reprodutores de Respostas Sociais massificadas nem assentes no conservadorismo.
Bibliografia
Cardoso, Pedro., (2015), (Re)Estruturação da Resposta de Centro de Dia para Unidade de Humanitude, tese mestrado em serviço social, apresentado à UCP, Texto policopiado.
Phaneuf, Margot., (2007), Comunicação, Entrevista, Relação de Ajuda e Validação, Montréal, Lusociência.
Mounier, Emmanuel., (2004), Personalismo, São Paulo, Centauro Editora.