Perfil dos jogadores domina debate sobre o futuro do jogo online em Portugal

O jogo online em Portugal atravessa um momento de consolidação e crescimento controlado, mas é no perfil dos jogadores que se encontram as pistas mais relevantes para o futuro do setor. 

Os dados mais recentes divulgados pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), referentes ao segundo trimestre de 2025, revelam números expressivos em termos de receitas, mas também oferecem uma radiografia detalhada sobre quem são os utilizadores, de onde vêm e como se comportam nas plataformas digitais.

O crescimento sustentado do setor

Entre abril e junho de 2025, o setor de jogo online gerou 287 milhões de euros em receitas brutas, representando uma ligeira subida face ao trimestre anterior e um aumento de quase 10% em comparação com o mesmo período de 2024. Embora o destaque recaia habitualmente sobre os valores arrecadados pelo Estado, que somaram 81,2 milhões de euros em impostos no trimestre, a análise demográfica e comportamental dos jogadores mostra-se cada vez mais central para compreender o rumo da indústria que cativa multidões, com plataformas populares que pode encontrar em Zamsino Portugal.

Uma base de utilizadores jovem e digital

Os dados confirmam que o jogo online em Portugal é dominado por uma população jovem e familiarizada com ferramentas digitais. No segundo trimestre, 77,8% dos novos registos corresponderam a pessoas com menos de 45 anos, um número que consolida a predominância deste grupo etário. A faixa entre 25 e 34 anos é a mais expressiva, representando 33,5% do total de novos utilizadores, seguida pelo segmento de 18 a 24 anos, que continua a crescer, embora com menor peso relativo.

Este padrão confirma uma tendência global: o jogo online atrai sobretudo indivíduos que já estão habituados ao consumo digital em áreas como o streaming, o comércio eletrónico e as redes sociais, e que encontram nas plataformas de apostas um prolongamento natural das suas rotinas online.

Distribuição regional: Lisboa e Porto à frente

A nível territorial, os dados do SRIJ mostram que Lisboa e Porto concentram a maior fatia de jogadores registados, com 21,7% e 21,1% respetivamente. Seguem-se Braga, Setúbal e Aveiro, que, em conjunto, representam quase 25% dos utilizadores ativos.

Este mapa geográfico demonstra como as regiões metropolitanas, mais densamente povoadas e com maior acesso a infraestruturas digitais, lideram o mercado. Contudo, a presença significativa de distritos fora do eixo Lisboa-Porto evidencia que o fenómeno do jogo online é nacional, com adesão transversal a diferentes perfis sociais e económicos.

Novos registos e cancelamentos: um equilíbrio dinâmico

O segundo trimestre registou 211 mil novas inscrições em plataformas legais, mas também 135,5 mil cancelamentos, refletindo uma dinâmica de rotatividade que caracteriza este mercado. Apesar do elevado número de encerramentos, o saldo líquido foi positivo: um crescimento de 1,6% no número total de contas ativas, que atingiu quase 4,9 milhões no final de junho.

Este movimento mostra duas realidades: por um lado, o mercado continua a atrair novos utilizadores; por outro, há uma parte significativa que interrompe a atividade, seja por decisão própria, por medidas de autorregulação ou por insatisfação com a experiência.

Autoexclusão em alta: um dado revelador

Um dos pontos mais relevantes do relatório é o crescimento das autoexclusões. Até junho de 2025, 326,4 mil jogadores optaram por suspender voluntariamente o acesso às plataformas, seja por períodos temporários ou de forma permanente. O número representa uma subida de 5,6% em relação ao trimestre anterior e de impressionantes 27% em comparação com o mesmo período de 2024.

O aumento reflete maior consciência dos jogadores em relação aos riscos de dependência e destaca a importância das ferramentas de jogo responsável, cada vez mais presentes nas plataformas reguladas. Curiosamente, o número de novas adesões a este mecanismo recuou 3,5% no trimestre, o que sugere que muitos dos que desejavam recorrer à autoexclusão já o fizeram em períodos anteriores.

A diferença entre apostas desportivas e jogos de casino

O perfil dos jogadores varia também conforme o tipo de jogo escolhido. Enquanto as apostas desportivas atraem sobretudo utilizadores ligados ao futebol e outras modalidades populares, os jogos de fortuna ou azar online são os que apresentam maior peso no mercado, representando atualmente cerca de 62% da atividade total.

No segundo trimestre, o volume apostado em casinos digitais aumentou 12,2% face ao trimestre anterior, compensando a retração de 8,9% nas apostas desportivas. Estes números mostram que, embora o perfil geral seja jovem e urbano, dentro do setor há diferentes motivações: uns procuram a emoção de apostar nos resultados desportivos, outros preferem o entretenimento rápido dos jogos de casino.

O que os dados revelam sobre o futuro

A análise do perfil dos jogadores em 2025 sugere que o mercado português caminha para uma maior maturidade, mas com desafios claros. O peso das faixas etárias jovens garante dinamismo, mas também exige atenção redobrada em termos de prevenção do jogo problemático. A elevada concentração em Lisboa e Porto levanta a questão sobre a expansão em regiões menos representadas, enquanto a adesão crescente à autoexclusão mostra que a regulação está a funcionar como ferramenta de proteção.

Mais do que os números sobre receitas fiscais e apostas realizadas, o retrato do perfil dos jogadores mostra como o jogo online em Portugal reflete transformações sociais, culturais e tecnológicas. Jovens urbanos, habituados ao digital, lideram a procura, enquanto mecanismos de autorregulação crescem em paralelo, demonstrando maior consciência coletiva sobre os riscos da atividade.

O futuro do setor dependerá não só da evolução da regulação e do combate ao mercado ilegal, mas também da capacidade de compreender quem são os jogadores e de que forma os seus comportamentos moldarão o equilíbrio entre entretenimento, arrecadação e responsabilidade social.

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