A pessoa ostomizada, uma conjuntura física e emotiva o Assistente social, importância do saber e do actuar

O diálogo, o pensamento, o estudo e a atitude são vitais na actuação do assistente social na comunidade de ostomizados em Portugal. Conhecer a fundo a comunidade e as suas alterações do ponto de vista clinico, social, familiar e profissional são informações de tal forma importantes que ao desconhecermos estes factores é provavelmente colocarmos em risco todo o resultado de ajuda que se pretende. Conhecer minimamente as causas e consequências de uma ostomia, observar e perceber os factores de rejeição por parte da sociedade e do próprio ostomizado, são condições que obrigam o Assistente Social, como peça fundamental, integrante e fortalecedor da equipa multidisciplinar a agir e interagir, investigar, informar e formar, compreender quais os factores inibidores.

O desconhecimento por parte da pessoa ostomizada quer ao nível da informação dos seus direitos e da acessibilidade, na grandeza da palavra e conceito, acima de tudo tomando a percepção dos factores e impacto da ostomia na dinâmica familiar são cenários onde o Assistente Social deve ingerir-se de forma acentuada na procura das melhores soluções sociais para a (re) integração da pessoa ostomizada numa sociedade que se recusa a aceitar esta condição física. Perceber quais as dificuldades emocionais e corporais da pessoa portadora da ostomia de eliminação, qual a dinâmica sociofamiliar imposta por esta condição física é fundamental por parte do Assistente Social para que os objectivos sociais delineados na procura da melhor qualidade de vida do ostomizado sejam alcançados. O Assistente Social deve obrigatoriamente entender que apenas e só com o trabalho em equipa consegue levar a que a pessoa ostomizada perceba que pode levar uma vida muito próxima do que se pode assinalar por “vida normal” nas suas mais diversas vertentes, social, sexual e profissional.

A implementação de diversas consultas multidisciplinares dedicadas ao ostomizado, em Portugal são quase sempre implementadas sem a participação deste profissional de Serviço Social contando apenas com o Enfermeiro e Psicólogo, levando a que e do meu ponto de vista e experiencia na área, não se complete o circulo dos profissionais de excelência para a implementação de medidas e acções afirmativas e de acessibilidade ao nível dos mais diversos direitos, de forma a minimizar as dificuldades e maximizando o acesso aos direitos fundamentais consubstanciados em legislação própria. Algumas questões se levantam na actuação do Serviço Social junto desta comunidade, passando não só pelo alhear por parte de alguns Assistentes Sociais da condição física e social da pessoa ostomizada mas, também pela ausência de formações específicas e dedicadas que permitam prover o Assistente Social de informação ajustada, particularmente a capacitação de que esta pessoa não carece apenas de políticas sociais actualizadas mas, adaptadas também á tipologia clinica e social provocada por uma ostomia. Certo é que esta condição física permite a isenção das taxas moderadoras e integra a pessoa ostomizada no Despacho 25/95, que permite os reembolsos dos valores pagos pelos dispositivos médicos e acessórios que diariamente é obrigado a utilizar suportando inicialmente o seu valor que ronda em média cerca de €250,00 mês e posteriormente são reembolsados pelo Ministério da Saúde em 90%. Perante esta pequena abordagem e aprofundando um pouco mais a substancia que nos move a discutir o Serviço Social e a Pessoa Ostomizada e a actuação desta profissão junto da pessoa, grupo ou comunidade de ostomizados, deixo uma questão que julgo se a que e do meu ponto de vista julgo de maior problemática.

Se vivemos uma conjuntura socioeconómica de crise, como pode esta pessoa ou agregado suportar valores que em muitos casos ultrapassam os €300,00 mensais sabendo o Assistente Social que o valor mensal de rendimento do agregado não atinge o actual valor do ordenado mínimo, sendo que um grande numero de ostomizados vivendo no interior do país têm que se deslocar para comprar o seu material despendendo essa verba e ficando a aguardar cerca de 60 a 90 dias pelo reembolso! Cada vez mais o Serviço Social assiste ao degradar de uma comunidade que igualmente se depara com dificuldades destruidoras do ponto de vista social, ao ponto de voltarmos a observar a utilização do “famoso saco de plástico”. Permitam-me deixar uma última questão para a qual julgo a existir a necessidade de uma consideração urgente por parte de todos os intervenientes em especial os Assistente Social; Para quando a constituição oficial de um grupo de trabalho pluridisciplinar para discussão de políticas de saúde e sociais de fundo e que melhor promovam a qualidade de vida desta pessoa?

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