No Porto há quem ande na mendicidade há 40 anos e quem começou há dois dias

 No Porto há quem ande na mendicidade há 40 anos e quem começou há dois dias

O fenómeno da mendicidade na cidade no Porto inclui pessoas que pedem esmola há mais de 40 anos e outras que começaram há dois dias, revela um relatório da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal (EAPN).

O relatório da EAPN insere-se num projeto promovido por uma organização não-governamental (ONG) italiana, financiado pela Comissão Europeia, e que envolveu, para além de Portugal, Itália, Bulgária e Roménia, para perceber o fenómeno do tráfico de pessoas para a mendicidade forçada.

“Os dados recolhidos demonstram que existe uma coabitação na cidade do Porto de situações de mendicidade que se arrastam durante décadas, com situações muito recentes”, lê-se no relatório, a que a Lusa teve acesso.

Das pessoas entrevistadas, a EAPN diz que “32% dos cidadãos nacionais entrevistados estão em situação de mendicidade há menos de 3 anos e 27% está há mais de 10 anos”.

Segundo o relatório, o caso mais recente de mendicidade identificado na cidade é o de um português desempregado há quatro anos, com 40 anos de idade e que tinha começado a pedir esmola dois dias antes de ser entrevistado pela EAPN.

Por outro lado, o caso mais antigo identificado foi o de um homem português, com 59 anos, a viver da mendicidade há 41 anos e que, por ser invisual, “nunca foi integrado no mercado de trabalho”.

Na opinião da EAPN, as deficiências, os consumos e as dependências, a passagem por estabelecimentos prisionais, o desemprego, as doenças, a velhice, a imigração, são todos fenómenos que estão na rua e que fazem parte da vivência das pessoas em situação de mendicidade.

O trabalho da EAPN revela que a maior parte das pessoas sinalizadas tem entre 30 e 49 anos (42%) e entre 50 e 64 anos (33%), o que mostra que 82% das pessoas em situação de mendicidade tinham mais de 30 anos.

“A maior parte das pessoas sinalizadas eram portuguesas (75%; 148 casos), sendo que existiram 8 casos (4%) em que não foi possível identificar a nacionalidade. Ao nível dos estrangeiros, 42% dos estrangeiros em situação de mendicidade afirmam ser de nacionalidade romena, correspondendo, no entanto, apenas a cerca de 9% do total das pessoas sinalizadas”, refere o documento.

Por outro lado, 71% dos entrevistados portugueses referem que residem em agregados familiares em que pelo menos uma pessoa recebe algum tipo de subsídio ou apoio financeiro do Estado, sendo que a maior parte dos casos (41%) refere-se a apoios associados aos sistemas de reforma (pensão social de invalidez, pensão social de velhice ou pensão de velhice).

Lê-se igualmente que “muitos dos que recebem o Rendimento Social de Inserção têm que fazer a difícil escolha entre utilizar os 178Euro no pagamento do quarto (que, na cidade do Porto, parece variar entre 150Euro e 200Euro) ou utilizá-los nas outras dimensões da sua sobrevivência diária”.

“Apesar da maior parte dos entrevistados residir em alojamentos familiar clássicos, seja em casas/apartamentos (42%) ou em habitação social (12%), o problema do alojamento é outra questão que não pode ser ignorada na abordagem deste fenómeno”, refere o relatório.

Estas e outras conclusões são apresentadas hoje num seminário na cidade do Porto.

 

Notícias ao Minuto

 

Fonte| http://www.noticiasaominuto.com/pais/295120/no-porto-ha-quem-ande-na-mendicidade-ha-40-anos-e-quem-comecou-ha-dois-dias

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