A face Oculta dos Assistentes Sociais nos Média
O défice de visibilidade dos assistentes sociais no espaço público (refiro-me concretamente aos Média) tem conduzido, de alguma forma, à dispersão e enfraquecimento da classe profissional na área.
Situamo-nos num mundo em constante mutação, numa sociedade que é agora globalizada e mais democratizada. O Serviço Social é uma disciplina das ciências sociais e humanas, confrontada, assim, com a necessidade de investigar/pesquisar métodos e técnicas de intervenção ajustadas às novas e complexas realidades sociais geradas, quer pela globalização, quer pelas crises económicas e financeiras internacionais. Exige-se, ainda, alterações naqueles que são os paradigmas mais tradicionais na acção dos seus profissionais -assistentes sociais-, encontrando assim formas mais adequadas e eficientes de responder às novas situações-problema” vivenciadas pelos indivíduos, famílias e comunidades.
Nas instituições em que se enquadram, são-lhes exigidas (aos Assistentes Sociais) práticas profissionais diligentes e eficazes (“soluções impetuosas”) para problemas multifacetados e de complexa resolução. Nos grupos da população que atendem inserem-se agora indivíduos e famílias que outrora se situavam num grupo social tido como “privilegiado” -classe média-, as quais se conservavam fora do sistema de proteção social (sem necessidade de a ele recorrer). Paralelamente, os profissionais continuam a trabalhar com os grupos da população socialmente mais vulneráveis, que subsistem (situação à qual não é alheio o caráter multidimensional e geracional da pobreza e da exclusão social). Estas novas realidades enfatizam complexidades acrescidas na intervenção, desafios que suscitam aos assistentes sociais necessidades de formação/especialização na(s) área(s) específica(s) na sua acção, com o objectivo de desvendarem meios/estratégias de superação/resolução dos problemas societais.
Numa sociedade plural e aberta aos vários subsistemas, a actuação dos Assistentes Sociais (bem como dos diversos profissionais em geral) encontra-se agora mais exposta sendo o seu trabalho regularmente alvo do “escrutínio” na esfera pública, situação para a qual tem contribuído os “Média”- denominados de “quarto poder”-. Julgo que esta realidade não é necessariamente negativa, já que os profissionais da comunicação social (jornalistas) têm como objectivo o “direito de informar”, acção tão fundamental para o exercício da cidadania. Pois, se a notícia for tratada com os princípios exigidos aos seus profissionais – ética, sigilo e confidencialidade-, ela constitui-se num meio de “capitalização da cidadania”, numa sociedade que tem o direito de ser informada. Sabemos que as instituições sociais são fundamentais para os indivíduos, mas, na sua organização encerram dinâmicas complexas e burocráticas, provocando, por vezes, “disparidades, desvios e fragilidades” na vida dos cidadãos-sobretudo daqueles que dela são alvo- (nalguns destes contextos, os técnicos –referimo-nos aqui aos assistentes sociais- são o “rosto” mais directo e acessível, e sobre os quais recai, muitas vezes, o ónus da responsabilidade).
Na minha opinião, a ausência dos Assistentes Sociais nos meios de comunicação social em geral tem sido pouco positivo para a classe, não somente na sua própria defesa (quando pessoal e profissionalmente visados), mas, também pela falta de divulgação daqueles que são os valores e objetivos do Serviço Social, e afirmação da estrutura profissional. Arriscar-me-ia até a dizer que a “estagnação” e até “desvalorização” que vimos assistindo no âmbito da profissão -do serviço social- resulta do facto de não termos ainda percebido a importância de nos fazermos representar nos “Média” (efectivando, tantas vezes, projectos de mérito na comunidade, mas “invisíveis”, e habitualmente instrumentalizados nos diversos sistemas, inclusive nos meios mediáticos).
Seria interessante perceber as principais razões para o facto, algumas das quais se centram, do meu ponto de vista no escasso debate crítico na classe, quer ao nível interno, quer externo à profissão (e ainda muito delimitado apenas às estruturas representativas da classe e aos contextos socioinstitucionais e “privados” e informais, ou seja, naqueles espaços que são as nossas “zonas de conforto”). Outra razão será aquela a que denomino de “receios da exposição mediática e suas consequências”, pelas dificuldades dos profissionais em sistematizar a sua ação num discurso acessível a todos, pela insegurança no emprego, e por eventuais represálias. Por último (e talvez a primeira), os assistentes sociais ainda não merecem o adequado reconhecimento dos profissionais dos Média. Vemos frequentemente nos meios de comunicação social profissionais de áreas afins e outros, em diversos programas a abordar temas nos quais os profissionais do Serviço Social intervêm detêm conhecimentos específicos na sua análise e intervenção (quotidiana), detendo, inclusive, nas instituições em quem exercem a sua actividade elevadas responsabilidades (designadamente na área das crianças e jovens, mulheres, idosos, em risco e perigo, desemprego, pobreza e exclusão social, isolamento, adopção, deficiência, entre as demais problemáticas nas quais os assistentes intervêm na sua prática quotidiana), mas não são eles os convocados, porquê?.
Poderemos, no entanto, afirmar que os assistentes sociais dispõem de competências técnico-científicas, com intervenções concretas e ajustadas junto dos indivíduos/famílias e comunidades com as quais trabalha. Ainda recentemente tivemos um colega (Assistente Social) condecorado pelo Parlamento (português) pelo exercício da sua profissão na Junta de Freguesia de Campanhã, Porto (com elevado mérito e reconhecimento). Esta distinção teve um forte impacto e notoriedade nos diversos meios de comunicação social (nomeadamente na televisão e rádio…).
ESTE UM TEMA QUE URGE NA REFLEXÃO DA CLASSE PROFISSIONAL!